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Na sombra de prédios cinzentos pelo tempo, onde os sonhos se agarravam às paredes como cartazes rasgados, vivia um homem chamado Elias. Seus olhos brilhavam com uma luz que nem mesmo a escuridão dos becos conseguia apagar. Ao seu redor, o mundo parecia ter desistido: rostos fechados, portas batidas, oportunidades escorregando como sombras ao entardecer. Mas Elias se recusava a se curvar.

Todas as manhãs, ele acordava antes do amanhecer, seus dedos apertando com força um velho caderno onde anotava suas ideias, seus projetos, suas esperanças. Ele havia aprendido a ler nas entrelinhas da vida, a ver oportunidades onde outros só viam becos sem saída. O bairro, duro e implacável, lhe ensinara uma coisa: para sobreviver, era preciso ser mais esperto que a pobreza, mais persistente que o desespero.

Elias trabalhava com as mãos, consertando o que outros descartavam, transformando lixo em tesouros. Uma bicicleta velha e enferrujada se tornava um corcel orgulhoso; um palete de madeira abandonado se transformava em uma elegante prateleira. Ele vendia suas criações no mercado, sob os olhares céticos dos passantes. Alguns riam, outros o ignoravam. Mas sempre havia um velho, um ex-carpinteiro, que parava para observar seu trabalho. Um dia, o homem sussurrou para ele: « Você tem talento, meu rapaz. Mas talento sem audácia é como um pássaro sem asas. »

Aquelas palavras ecoaram dentro dele. Elias começou a ousar mais. Alugou uma pequena loja decadente e montou uma oficina improvisada. As noites eram longas, seus dedos doíam, mas cada peça que criava levava uma parte de sua alma. Pouco a pouco, as pessoas começaram a falar do « artesão do beco ». Vinham de longe para encomendar móveis, objetos únicos cheios de histórias.

Uma noite de inverno, enquanto o vento gelado uivava entre os prédios, uma mulher entrou em sua oficina. Vestia um casaco elegante e segurou um cartão de visitas entre seus dedos enluvados. « Ouvi falar de você, » disse, olhando ao redor. « Você tem algo especial. » Ela era dona de uma galeria, em busca de novos talentos. Elias sentiu seu coração bater mais rápido. Pela primeira vez, ousou acreditar que seu sonho poderia alçar voo.

Os meses passaram. A oficina tornou-se um ponto de encontro, um espaço onde ideias brotavam e esperança era compartilhada. Elias não havia mudado o mundo, mas havia mudado o seu. E naquele bairro onde as pessoas acreditavam que nada poderia crescer, ele fizera o impossível florescer.

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